sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sobre Papai Noel, as delegacias e a pichação











Finalmente a pichadora da Bienal foi posta em liberdade, depois de 53 dias presa. É claro que Caroline Pivetta da Mota, gaúcha, de 24 anos, só foi posta em liberdade por pressão de um grupo não-conservador de intelectuais, que não achou nada demais ela pichar uma bienal, e fez campanha incessante para sua libertação. Mas na verdade, os organizadores da 28º bienal Internacional de São Paulo se comportaram como um menino que chama o outro pra brincar de bola e depois, que o colega aceita, toma a bola dizendo que é sua e ninguém pega. Se Caroline estiver errada, mas errada estão os organizadores da Bienal que colocaram a disposição dela a “Planta Livre”.
Quando criança, eu sempre prestei a atenção nas pichações em Recife. Recife é muito pichada. Vocês já viram aquelas mensagens evangélicas nos viadutos? Em alguns casos eu até gosto de ver umas pichações dessas. Duas me chamaram atenção. Elas diziam mais ou menos assim: “Por que o Papai Noel só visita os shoppings?” e “Pacto Pela Vida de quem?”
Interessante, não é? Quantas crianças são privadas não só do consumo – no Natal isso é horrível -, mas também do carinho, da proteção, do interesse, do valor enquanto ser humano. Por que o Papai Noel não visita favelas?
O pacto pela Vida, programa criado por Eduardo Campos (governador de Pernambuco) para conter os níveis de violência no Estado que são altíssimos, somos o segundo estado mais violento do Brasil (http://www.forumseguranca.org.br/artigos/violencia-no-recife-x-violencia-no-rio-de-janeiro), sendo Recife a cidade mais violenta do país (http://www.pernambuco.com/diario/2004/06/08/urbana1_0.html).
Mais revoltante do que o estado caótico do nosso estado é a impunidade, principalmente a impunidade ocasionada pelas (boas) condições financeiras dos meliantes. Visto por esse lado, além de sofrer com o crime, as pessoas menos afortunadas (os pobres) são humilhadas.
Por isso o caso do jovem Jerrar Zacarias dos Santos, 21 anos, acusado pela polícia de dirigir bêbedo, sendo responsável pela morte da enfermeira Aurinete Gomes Lima dos Santos, teve a repercussão que teve.
A questão não é se ele vai ficar na cadeia – provavelmente os seus bem pagos advogados encontrarão uma brecha legal para tirá-lo dessa condição – a questão é simbólica. O povo está cada vez mais propenso a crer que as coisas não estão bem do jeito que estão. Que a vida do pobre que já é tão sofrida não pode ser desprezada para garantir a boa-vida de elite parasitária. Não estamos satisfeitos. Foram 50, o número pessoas que fizeram uma manifestação na última quinta-feira (18), em frente ao Hospital Português, para apressar a policia no comprimento do seu dever, mas esse número tende aumentar em outros casos em que igualmente a esse houver conivência das autoridades com os meliantes ricos em detrimento dos pobres.
Sobre o caso, parabenizo o Diário de Pernambuco pela forma com agiu. O Diário, meu jornal favorito, publicou nas capas de Domingo até hoje o caso como forma de pressão contra impunidade. Parabéns. Ah! A foto de cima foi retirada da página da internet (http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/18/not_311940.php) que contem a reportagem de capa do Jornal do Comércio, que também é um ótimo um jornal, nessa reportagem é mostrada a diferença entre cadeias, a mais bonitinha é a de Boa Viagem e a mais derrubada é a de Prazeres.

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