
Chegamos ao Natal, para se notar isso não precisamos checar o calendário, apenas é necessário visitar qualquer grande cidade. Lá você irá ver os shoppings lotados, irá ver também verdadeiras multidões realizarem uma peregrinação gigantesca ao deus Mamon. O irônico é observar que as pessoas justificam a adoração do consumo pelo nascimento de Cristo. Contudo será que isso significa comemorar o nascimento de Cristo? Vejamos.
Cristo quando nasceu sendo ele mesmo o próprio Deus poderia nascer no lugar que bem quisesse. Se fosse você, qual lugar você escolheria para nascer? Na melhor família de Nova York? Em Mônaco, como príncipe herdeiro? E se fosse naquele tempo, talvez não fosse melhor escolher Roma, nascendo na família imperial? Para Jesus, não.
Cristo nasceu em Belém, uma das menores cidades de Israel (Miquéias 5.2), num estábulo, isto é, no lugar aonde o gado é guardado, uma manjedoura (Lucas 2.16), lugar onde o gado come, serviu como berço ao ser em que a Terra é o estrado dos seus pés (Isaías 66.1). O valor desse fato é impactante. Jesus estava nos propondo, a parti de sua própria vida, a dar valor às coisas verdadeiramente importantes.
Certa vez um jovem muito rico perguntou a Jesus o que faria para herdar a vida eterna ao que Cristo respondeu: guarda os mandamentos. O jovem imediatamente lhe questionou qual seria os mandamentos, Jesus lhe disse alguns mandamentos da lei mosaica e completou: ame o próximo com a ti mesmo. O jovem entusiasmado disse que guardava todos os mandamentos, mas Jesus lhe disse: se quiseres ser perfeito, vende tudo que tens e dá aos pobres e aí sim terás um tesouro no céu. O jovem olhou para tudo aquilo que ele possuía e entristecendo saiu. Qual era o problema do jovem? Perceba que Cristo não o inquiriu a respeito dos primeiros mandamentos da lei mosaica, a saber, os quatro primeiros, porque se ele começasse a perguntar ao jovem sobre o primeiro mandamento, por exemplo, cuja redação tradicional diz: “Eu sou o teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outro deus diante de mim” (Êxodo 20. 1,2), o jovem poderia dizer que seguia o mandamento, mas Cristo o questionou para mostrar que ele não cumpria a parte da lei que diz que devemos amar ao Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo nosso entendimento (Mateus 22. 37).
A questão que aqui se coloca não o menosprezo as riquezas. Inúmeras vezes a Bíblia trata do valor da riqueza. Provérbios fala muito a respeito disso: O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos (Provérbios 14.20); Se os irmãos do pobre o aborrecem, quanto mais se afastarão dele os seus amigos! Corre após eles com súplicas, mas não os alcança. (Provérbios 19.7). Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus. (Eclesiastes 5.19)
Contudo, o dinheiro é uma armadilha a que o Senhor desejou que nós não caíssemos nela.
Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade. Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com seus olhos? Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. Grave mal vi debaixo do sol: as riquezas que seus donos guardam para o próprio dano. E, se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura, ao filho que gerou nada lhe fica na mão. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo. Também isto é grave mal: precisamente como veio, assim ele vai; e que proveito lhe vem de haver trabalhado para o vento? Nas trevas, comeu em todos os seus dias, com muito enfado, com enfermidades e indignação. (Eclesiastes 5. 10-17)
De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas. (I Timóteo 6. 6-12)
Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida. (I Timóteo 6. 17-19)
Cristo quer que não soframos com o amor e apego desenfreado as riquezas, pois como São Paulo falou muito bem, quem ama a riqueza se atormenta com muitas dores. Quem bebe dessa fonte nunca se saciará. Schopenhauer descreveu muito bem isso ao dizer:
Um homem que nunca alimentou a aspiração a certos bens, não sente de modo algum a sua falta e está completamente satisfeito sem eles; enquanto um outro, que possui cem vezes mais do que o primeiro, sente-se infeliz.
(SHOPENHAUER, Aforismos para a sabedoria de vida, 2º Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006)
O dinheiro está associado à inveja, isto é, as pessoas ganham dinheiro pelo trabalho, seja seu, seja dos outros, e trabalham com inspiração de ter aquilo que outros têm e que eles ainda não possuem. “Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento." (Eclesiastes 4.4)
De fato, Mamon é egoísta. Quanto mais se tem mais se quer ter. Não se pode conciliar o cristianismo genuíno com a avareza. O cristianismo se faz com abstenção do mundo. Meu reino não deste mundo (João 18.36) já dizia Jesus a Pilatos, logo qualquer tentativa de uma vida regalada aqui na Terra em detrimento do Reino dos Céus é anticristã.
O espírito do natal é Cristo. Cristo não morreu para que ganhássemos presentes no final do ano. Cristo nasceu e morreu para nos conduzir ao caminho que leva a alegria eterna no Seu Reino. Cristo pode-nos oferecer bem mais que o Papai Noel. Pelo seu sangue oferece a Vida Eterna.
Feliz Natal!

Nenhum comentário:
Postar um comentário