domingo, 23 de novembro de 2008

As COTAS e o SENADO


Estarei enviando esse texto pro e-mail dos 81 senadores brasileiros, provavelmente na segunda-feira (24/11)


Os negros e pardos têm sofrido ao longo da história brasileira com o descaso das autoridades ditas competentes. Não é sem motivo que tal parcela do povo brasileiro ocupe a maior parte do contingente populacional das penitenciárias e a menor parte das universidades e altos cargos da nação.
Com um retrato tão desanimador como este e frente a uma eleição histórica de um negro ao maior cargo da maior nação do mundo, economicamente falando, nos impõe a tomada de uma atitude que amenize todos os erros cometidos contra essa raça desde o tempo de Zumbi.
As cotas para negros, pardos e pessoas de baixa renda, nas universidades federais, aparecem como algo de tentador diante dessa situação. Contudo aonde pode ir tal lei, se for aprovada? Primeiro não mudará significativamente a vida de ninguém.

Não adianta colocar nas universidades pessoas que tiveram todo o ensino em colégios públicos de má qualidade. O grande vestibular não é aquele que ocorre para o ingresso de uma pessoa em uma instituição de ensino superior, o grande vestibular acontece no decorrer curso. Quais são os mecanismos que corroborarão para a permanência desses alunos dentro da instituição?

O segundo fator está na análise equivocada do problema.

A questão não é simplesmente a cor da pele, está em algo mais transcendente. Os negros estão em situação mais desfavorável porque estão inseridos dentro de uma grande massa de excluídos, os quais não são os únicos. Por fatores históricos eles aparentemente são a maioria dos pobres do país. Com isso, para acabar com tal situação é necessário pensar como fazer os pobres entrarem nos lugares onde hoje estão proibidos na prática de entrar, entres esses lugares as universidades e o mercado de trabalho.
Pensar somente na universidade é querer pensar em comer o ovo sem quebrar a casca. Não adianta jogar todo mundo na universidade sem primeiro garantir a universalização do ensino fundamental e médio. E por sua vez não adianta garantir a universalização do ensino fundamental e médio sem que primeiro seja garantido um ensino de qualidade em ambos os casos.
Mas estranhamente o que acontece é o investimento nas universidades particulares (PROUNI) sem um investimento maior nas universidades públicas. Um grande número de matrículas nas escolas públicas com uma grande evasão escolar.
Estou escrevendo – espero que vossa excelência responda este e-mail – não com a preocupação de que a “lei da cota” seja aprovada de imediato - do lado de fora há rumores que essa lei não irá passar nessa casa, porque o texto foi alterado na Câmera ferindo o interesse de alguns –, mas com intenção de que esse assunto não morra e seja sepultado na casa da democracia.
Seria interessante que fosse aprovadas leis no sentido de garantir a todos os brasileiros a inclusão social por meio de uma educação de qualidade. O aumento de verba, a capacitação dos profissionais ligados a educação e a fiscalização dos recursos públicos destinados a esse fim, já ajudaria muito.

Sem mais,
Ezequiel Carvalho

2 comentários:

Unknown disse...

Sou a favor do PROUNI, até pq estou hj no 5° periodo de Ciencias economicas graças a ele. Sim ele tem suas falhas(manter 1 aluno no PROUNI custa 2 vezes + do q manter 1 aluno na universidade publica), mas ajuda muita gent.

já com relação as cotas, acho q é só mais uma forma de preconceito, uma forma dizer que negro é burro.
Num mundo capitalista como o nosso, o que vale é quanto se tem e nao cor de pele, vamos manter e ampliar politicas sociais, trabalhar na base do ensino e daí se resolve tanto o problema do preconceito, quanto o problema da universidade.

Unknown disse...

O PROUNI ajuda muita gente, eu sei, mas a questão não é essa. A grande maioria das pessoas que passam no PROUNI, passariam também na UFPE (como é o teu caso). O que eu questionei é um investimento em uma instituição como a universidade Católica, que já recebe verbas da iniciativa privada invés de conceder verbas a universidades públicas que dependem delas.

Em relação ao resto, concordo tudo contigo.